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Eu E A Minha Amiga Fisca (Poema)

— Por Gilberto Ceita

Escolhi esta frase como o título da minha história porque ando sempre com ela (fisca),para começar a falar de mim, sou Gil estudante do ensino primário da quarta classe de apenas nove anos de idade, filho de pobre mãe e pai Santomense, perdi o pai com apenas cinco ano de idade até que quase não me lembro do seu rôsto,a não ser com a ajuda das fotos.

Levanto-me toda manha as cinco horas e trinta acendo o candeeiro escovo os dentes estudo até as seis horas, em seguida vou buscar água na nascente que esta em media um quilómetro fora da minha casa e levo comigo a minha cara fisca, enquanto a minha mãe prepara o pequeno-almoço.

Nesse percurso feito todos os dias, levo comigo a fisca divertindo com ela e com a vontade de caçar alguns pássaros que estiver no meu alcance, todo isto faz com minha mãe aborreça comigo, ameaçando-me destruir o meu objecto (fisca)

Eu com este medo, passei a guardar muito bem a minha fisca dizendo pra ela que perdi a mesma, falei por falar da fisca não consigo desistir enquanto a minha infância.
Com ela eu me sinto completamente alegre e descontraído, fisca é como se fosse uma irmã pra mim.

Como passar de alguns tempo ela descobre que menti quando disse que perdi a mesma, com tudo isto ela passou a entender que a fisca é a única minha diversão, já assim passei a estar com a minha cara fisca livremente.

Algumas vezes vou a escola com fome com de barriga completamente vazia, isto porque nem sempre a minha cara mãe consegue arranjar o que comer, mesmo com fome sei que vou conseguir sei que vou ser o homem do amanha vou conseguir ter uma vida melhor, por isso faço tanto esforço enfrento toda essas dificuldade, sei também sou eu quem vai ter que cuidar da minha mãe na velhice também penso de ser um solidário, ajudando todas aquelas crianças que poderão vir passar o que estou a passar actualmente.

Muitas vezes quando chego em casa não encontro o que comer e a Para me disfarçar e distrair da fome pego na minha cara fisca saio por trás de casa em direcção a nascente chamando pelo pássaros pisss piss piss com toda paciência e vontade de caçar o mesmo.

Em todo este percurso atraveço muitos rios, estradas passando por muito risco que eu mesmo não noto parecendo que existe algo me guiando e protegendo, tudo isto é a força da minha fisca que leva-me com ela até onde quiser.

Por me habituar com tanto sacrifício parece que nada acontece mas a minha mente está coberta e apertada pensando na minha vida futura, na minha mãe que através de tanto sacrifício me cria procurando a forma de me sustentar, tudo isto me invade a mente.

De mim, apenas o senhor do alto (Jesus) e a minha mãe sabem isto porque eles estão sempre do meu lado e se a minha cara fisca teria vida, também poderia saber por quantas dificuldades eu passo.

Através dela passeio, conheço o amor da natureza, as qualidades que nela existe e respiro o ar puro da mata.

Digo sempre a minha mãe que irei ser o melhor aluno da turma, mas a mesma não acredita pelo facto de me encontrar sempre ligado a fisca, também irei mostrar para muitos quanto vale ser pobre, mostrar que sem dinheiro conseguimos nos alegrar e mostrar que fazemos a diferença.

Desde então penso em dar melhor condições de vida a minha amada mãe, mesmo sabendo que ainda não posso fazer nada a não ser estudar muito, mas dou para ela o meu carinho de filho, força para enfrentar as dificuldades que nos rodeia e a esperança que um dia tudo tornará melhor para nós.

Um certo dia ao ir a escola tão distraído com a fisca na mão no meio da estrada a olhar para o mato atento para o pássaro foi atropelado por um carro em direcção a escola.

Tive varias fracturas no braço e na perna e algumas cortes na face e no peito, no hospital lembro-me da fisca com medo de perde-la, felizmente alguém apanhou-a e guardou.

Consequentemente a minha mãe ao ouvir a notícia ficou tão irritada, triste partindo para o hospital com um enorme desespero no rosto, chegando ao hospital tão abalada procurando por mim e logo que me encontrou naquela situação pôs-se a chorar.

Tudo isto fez com que ela suspendeu o seu negócio durante o período que fiquei hospitalizado.

Durante um mês de tanto sofrimento tanta lágrima derramada sem poder andar recupero e recebo alta, o pior de tudo é que fui internado no ultimo mês para finalizar o ano lectivo, como já vinha com boas notas nos dois outros períodos não corri o risco de ser reprovado, apenas recebi uma revisão durante uma semana e fiz os testes dos faltosos na semana seguinte.

Depois de alguns dias no quintal cuidando da fisca que se encontrava perdida por causa do acontecido, recebo a feliz notícia que aprovei de classe e foi considerado o melhor aluno da turma.

Em virtude disso eu e a minha mãe ficamos muito alegre e emocionado porque era a notícia mais esperada por nós principalmente para mim porque fiz valer a minha frase que foi seguinte: serei o melhor da turma. E a minha fisca ajudou-me tanto.

Deixo esta mensagem: Com sacrifício conseguimos e com sofrimento aprendemos e aprendemos muito.


Story by Gilberto Ceita for the Wê anthology. We're raising money to produce it as a short film. You can also read a translation in English.

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